Uma pesquisa da Workplace Gender Equality Agency (WGEA) e da Universidade Curtin, divulgada em 12 de outubro de 2026, aponta que a falta de opções de trabalho flexível e a divisão desigual das responsabilidades de cuidado têm impedido mulheres de permanecer em cargos seniores na Austrália.
A WGEA afirma que mais cargos de chefia em meio período e modelos de “co-CEOs” podem ajudar a manter mulheres na liderança e reduzir a diferença salarial de gênero, em que elas ganham em média 79 centavos para cada dólar recebido por um homem.
O levantamento mostra que, em 2024-25, mulheres em tempo integral foram promovidas mais do que homens, com base em dados da WGEA que cobrem 5,4 milhões de empregados. Ainda assim, os homens tiveram ligeira vantagem nas promoções para posições de gestão, e as mulheres que chegaram a esses cargos pediram demissão em proporção maior do que os colegas homens, 13,8% contra 12%.
Christine Castley, diretora-executiva da WGEA, disse que a combinação entre responsabilidades de cuidado desiguais e a falta de flexibilidade no trabalho tem afastado mulheres de posições seniores. Ela afirmou que persiste a ideia de que cargos de gestão não podem ser exercidos em meio período, o que acaba limitando também o acesso a arranjos flexíveis nessas funções.
O estudo também indica que a maior parte das mulheres ainda interrompe o trabalho ou passa a atuar em meio período após o nascimento do primeiro filho, com base em dados do Household, Income and Labour Dynamics in Australia (Hilda). Entre as pessoas que tiraram licença parental como cuidadoras principais em 2024-25, as mulheres representaram 80%, e elas também tiveram maior probabilidade de deixar o emprego durante esse período do que os homens.
Em setores nos quais a força de trabalho feminina é majoritária, a liderança ainda permanece concentrada entre homens. Na área de saúde e assistência social, mulheres representam três quartos da força de trabalho, mas cerca de metade dos cargos de CEO. No conjunto das empresas australianas, elas ocupam apenas um em cada cinco postos de presidência de conselho ou de diretoria executiva.
Castley disse que empregadores podem pensar em mudanças para preservar mulheres em funções de comando, incluindo permitir que avós acessem licença para cuidadores ou organizar escalas que considerem horários de entrada e saída da escola. Ela citou também o uso crescente de co-CEOs, inclusive no nível de direção executiva, como uma forma de dividir a função.
O relatório mostra ainda que apenas 13,2% das organizações desenham cargos de gestão para trabalho em meio período, embora aquelas que o fazem apresentem taxas de promoção significativamente mais altas para mulheres em tempo parcial que não ocupam posições de gestão. Empresas com estratégias de trabalho flexível também tendem a empregar mais mulheres em todos os níveis da alta gestão.
Dr. Silvia Salazar, coautora do relatório, afirmou que a divisão do cuidado entre pais e mães também pesa nesse resultado. Ela disse que empregadores não controlam como o cuidado é distribuído dentro de casa, mas podem agir para que a chegada da maternidade ou da paternidade não signifique sair do caminho da progressão profissional.
O estudo informa ainda que 33% dos empregadores não financiam licença parental adicional remunerada. Para a WGEA, os dados ajudam a sustentar políticas concretas em um momento em que a igualdade de gênero enfrenta resistência crescente na Austrália.
Fonte: the Guardian
