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Carla Fonseca defende que liderança não tem estilo feminino ou masculino na Smiles

Carla Fonseca, CEO da Smiles desde 2022, afirmou em entrevista à Forbes Brasil que não vê uma fórmula de liderança específica para mulheres e defendeu que homens e mulheres têm as mesmas capacidades e competências.

Pesquisa Voa MulherRevista Voa Mulher

Publicada em 23 de outubro de 2026

Um levantamento do Evermonte Institute, braço de pesquisa da consultoria especializada em recrutamento de executivos, mostrou que apenas 5,2% dos postos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres
Um levantamento do Evermonte Institute, braço de pesquisa da consultoria especializada em recrutamento de executivos, mostrou que apenas 5,2% dos postos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres. Foto: Victor Affaro

Carla Fonseca, CEO da Smiles, afirmou em entrevista à Forbes Brasil que não existe uma fórmula de liderança específica para mulheres. Ela disse que não gosta da ideia de separar estilos de gestão por gênero e defendeu que homens e mulheres têm as mesmas capacidades e competências. A fala de Carla ganha peso porque vem de uma executiva que comanda a empresa desde 2022, em meio à reestruturação da GOL, e recoloca a discussão no terreno da competência técnica, não da rotulagem por gênero.

Fonseca assumiu o cargo em 2022 e acompanhou de perto o pedido de recuperação judicial da GOL nos Estados Unidos, em 2024. Desde então, o programa de fidelidade tem mantido relevância nos resultados do grupo, em meio ao processo de reestruturação da empresa-mãe. Os números da Smiles aparecem nos balanços da GOL.

Em 2025, a companhia registrou receita operacional líquida consolidada de R$ 22,128 bilhões, ante R$ 15,330 bilhões em 2024, avanço de 44,35%, conforme as demonstrações financeiras do ano passado.

A executiva contou que nunca sonhou em ocupar o cargo de CEO, embora soubesse desde a adolescência que queria liderar. Ela lembrou da época em que presidia o grêmio estudantil, organizava um jornal e buscava patrocínios, experiência que, para ela, já apontava esse desejo de conduzir projetos com impacto na vida de outras pessoas.

Carreira, representatividade e solidão no topo

Antes de assumir o comando da Smiles, Fonseca foi gerente de Produtos B2C e Canais de Relacionamento e diretora da Smiles Argentina. Ela disse que a experiência na Argentina foi um ponto de virada, porque a colocou à frente da criação de um programa em um novo país e a fez perceber sua capacidade de entregar resultados.

Ao falar sobre liderança feminina, Fonseca disse que, por um período, acreditava que precisava ser mais dura. Depois, afirmou ter entendido que precisava estar mais segura do que acreditava, e não adotar uma postura rígida por ser mulher.

Um levantamento do Evermonte Institute mostrou que apenas 5,2% dos postos de CEO no Brasil são ocupados por mulheres. O relatório Women in the Boardroom, da Deloitte, apontou que apenas 6% dos CEOs no mundo são mulheres. Fonseca disse que teve a sorte de contar com chefes mulheres no começo da carreira e afirmou sentir responsabilidade para que outras mulheres acreditem que é possível chegar ao topo.

Ela também falou sobre a solidão da posição de CEO. Segundo a executiva, decisões que antes eram discutidas com um líder passam a ser tomadas isoladamente quando se assume o comando da empresa, o que torna o cargo solitário.

IA, personalização e cultura de time

Na gestão da Smiles, Fonseca disse apostar no uso estratégico de inteligência artificial e análise preditiva de dados no aplicativo e no site para aumentar a conversão de vendas. Para ela, o ambiente digital virou o principal produto da companhia, com foco em personalização da experiência.

Ela explicou que a empresa usa IA para criar vitrines personalizadas conforme o perfil e o momento de navegação de cada usuária ou usuário. A estratégia inclui conteúdos educativos para quem acabou de se cadastrar e ofertas diretas de voos e hotéis para clientes frequentes.

Fonseca também contou que a Smiles desenvolveu uma ferramenta com apoio de IA para busca de passagens, com o objetivo de simplificar a escolha de datas, cabines e passageiros e reduzir pontos de fricção. Outra frente citada por ela é o fortalecimento de parcerias com outros ecossistemas dos mercados financeiro e de fidelidade, caso da solução Milhas na Hora, lançada em parceria com a Livelo.

Na visão da CEO, a Smiles preserva características de startup apesar de ter mais de 30 anos de história. Ela disse que o maior volume de colaboradores dedicados à empresa está em tecnologia e negócios voltados a produtos, e afirmou que os indicadores financeiros também dependem do engajamento diário das equipes.

Ao falar sobre o que busca em um time, Fonseca mencionou vontade de fazer diferença, vontade de participar e competências técnicas como premissas. Para ela, é esse conjunto que sustenta os resultados da companhia.

Fonte: Forbes Brasil

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