Gilbert F. Houngbo afirmou, em Dublin, que a desigualdade salarial de gênero permanece como um dos pontos mais duros do mercado de trabalho global. O evento marcou o International Equal Pay Day e reuniu representantes de governos, empregadores, trabalhadores, academia e sociedade civil para discutir avanços e próximos passos na equidade remuneratória.
Ao falar sobre o cenário atual, o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho disse que, ao longo da última década, a diferença salarial entre mulheres e homens diminuiu apenas dois pontos percentuais. Mesmo com maior escolaridade entre as mulheres, elas seguem ganhando, em média, 18% menos do que os homens.
Houngbo também relacionou essa disparidade a fatores que se acumulam ao longo do tempo, como responsabilidades desiguais de cuidado, trabalho informal, barreiras ao trabalho decente, ao empreendedorismo e à liderança, além de discriminação e estereótipos. Para ele, a tecnologia e as transformações econômicas em curso podem abrir espaço para mais igualdade, desde que não reproduzam os mesmos vieses.
O diretor-geral chamou atenção para o avanço da inteligência artificial e de sistemas algorítmicos em processos de recrutamento, classificação de funções, avaliação de desempenho e remuneração. Ele defendeu que a tecnologia ajude a identificar e enfrentar a discriminação, e não a repetir desigualdades já existentes.
Houngbo também destacou que instituições mais fortes, com diálogo social, negociação coletiva e sistemas salariais justos e inclusivos, podem transformar direitos em realidade. Segundo ele, nenhum governo, instituição ou ator isolado consegue fechar sozinho a disparidade salarial de gênero.
O encontro reconheceu o primeiro ano da Irlanda como membro da Equal Pay International Coalition, lançada em 2017 e liderada pela OIT, pela ONU Mulheres e pela OCDE. A coalizão reúne mais de 80 membros em torno da meta de acelerar o progresso em direção à igualdade salarial por trabalho de igual valor.
