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Fórum do Sicredi debate acesso ao crédito e empreendedorismo feminino no Brasil

O 2º Fórum Sicredi Empreender reuniu especialistas e lideranças em São Paulo, em 18 de setembro de 2026, para discutir pequenos negócios, tecnologia, acesso ao crédito e os obstáculos enfrentados por mulheres que empreendem.

Pesquisa Voa MulherRevista Voa Mulher

Publicada em 22 de outubro de 2026

Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, e César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, no 2º Fórum Sicredi Empreender
Jaime Basso, presidente da Sicredi Vale do Piquiri Abcd PR/SP, e César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, no 2º Fórum Sicredi Empreender. Foto: Felipe Iruatã

O 2º Fórum Sicredi Empreender reuniu especialistas, executivos e representantes de organizações ligadas ao setor em São Paulo, em 18 de setembro de 2026, para discutir pequenos negócios, tecnologia, empreendedorismo feminino e acesso ao crédito.

Na abertura, César Bochi, diretor-presidente do Banco Cooperativo Sicredi, falou sobre a transformação do perfil do empreendedorismo, mas apontou que velhos obstáculos permanecem, como as altas taxas de juros e o endividamento das famílias. Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva, afirmou que “ser dono do próprio tempo significa ser dono da própria vida, e a carteira de trabalho não é mais sinônimo de segurança”.

Meirelles citou dados do Instituto Locomotiva e do Sebrae segundo os quais 48% dos empreendedores pertencem à classe C, e 10% são das classes D e E. Para ele, a principal dificuldade dessas faixas está na proteção financeira e na impossibilidade de errar.

Tecnologia e crédito para pequenos negócios

O painel sobre as perspectivas de futuro, mediado por Gustavo Freitas, diretor executivo de Crédito e Segmentos do Sicredi, discutiu como pequenas empresas podem incorporar novas ferramentas sem perder de vista as necessidades do próprio negócio. Marcos Troyjo, economista, cientista político e diplomata, destacou a importância do domínio de inovações matriciais, como as plataformas de inteligência artificial, para manter a competitividade.

Marcelo Porteiro, superintendente de Operações e Canais Digitais do BNDES, defendeu a união entre a esfera pública e o cooperativismo de crédito para internalizar a inovação. Ele afirmou que o sucesso depende do tripé tecnologia, ciência e governança, e disse que o empresário deve buscar entender quais soluções realmente geram valor.

Os especialistas também trataram do uso da tecnologia no crédito, que acelera processos, mas depende da qualidade das informações fornecidas pelo empreendedor. Porteiro disse que empresas com dados financeiros organizados conseguem apresentar melhor sua situação e facilitar a avaliação de crédito.

O Sicredi informou que tem mais de 1,6 milhão de associados empresariais e carteira de crédito para pessoas jurídicas superior a R$ 110 bilhões. As micro, pequenas e médias representam quase 90% desse saldo, e cerca de 28% das pequenas empresas brasileiras são associadas à instituição.

Mulheres enfrentam mais barreiras

O fórum também abriu espaço para um painel sobre empreendedorismo feminino. As participantes destacaram que as dificuldades enfrentadas pelas mulheres vão além da administração dos negócios e incluem trabalho doméstico, cuidado com familiares e vieses nos processos de concessão de crédito.

Caroline Moreira de Aguiar, coordenadora educacional da Rede Mulher Empreendedora, citou uma pesquisa que mostra que mais de 80% das donas de empresas são responsáveis pelo cuidado do lar, o que reduz o tempo disponível para a atividade empresarial. Renata Malheiros, coordenadora nacional do Sebrae Delas, afirmou que as mulheres conseguem investir 17% menos horas do que homens empreendedores e precisam dedicar o dobro de tempo para tarefas domésticas.

Adriana Barbosa, fundadora da Feira Preta e CEO do Instituto Feira Preta, avaliou que, para mulheres negras, as dificuldades são ainda maiores, sobretudo na obtenção de crédito. Ela defendeu que a lente de raça é fundamental para pensar políticas públicas que corrijam essas diferenças.

As participantes também destacaram o efeito multiplicador do dinheiro mobilizado por mulheres. Adriana afirmou que “o dinheiro que uma mulher mobiliza não se finda nela. Vai para a família, para o entorno, para a sociedade”.

De acordo com o Sicredi, cerca de 30% das empresas associadas à instituição têm liderança feminina. Em 2026, até julho, foram concedidos R$ 5,5 bilhões em crédito para 68 mil empresas, em mais de 3 mil cidades.

Inclusão financeira

Na palestra de encerramento, Jessica Jackley, cofundadora da Kiva, contou a história de um fabricante de tijolos que conheceu em Uganda e que serviu de base para a ideia que deu origem à organização. Ela relatou que o homem perdeu praticamente tudo, passou a fabricar tijolos manualmente e, com o valor das primeiras vendas, comprou um molde, ampliou a produção e depois construiu um forno.

Jackley disse que o caso chamou sua atenção para o efeito que pequenos aportes de capital podem ter sobre um negócio em fase inicial. Ela contou que a Kiva começou com empréstimos de US$ 25 feitos por pessoas interessadas em financiar pequenos empresários, a partir de um piloto de US$ 3 mil, e chegou a US$ 2,5 bilhões em empréstimos em 90 países.

Para Jackley, o crédito deixa de ser apenas um instrumento para financiar uma necessidade imediata e passa a fazer parte das condições para que pequenos negócios desenvolvam projetos e ampliem sua atividade. Ela afirmou: “Insista na esperança, ela é escolha, é estratégia e se transforma em ação quando você insiste em projetar o que ainda pode construir”.

Fonte: Época NEGÓCIOS

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