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A carta de amor que sonhei em receber

A essência de um amor verdadeiro. Explore sentimentos profundos e reflexões sobre relações. Inspire-se agora!

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Valeria Effgen
Por Valeria Effgen17 de novembro de 2018 · 4 min de leitura
A carta de amor que sonhei em receber

Meu amor,

Escrevo esta carta sem pensar muito, pois sua presença em minha vida é tão forte que não deixa dúvidas da sua existência. Porém ao mesmo tempo que esta presença é tão forte e tão marcante ela é incrivelmente leve.

É incrível como consigo ter tempo para mim, tempo para meus devaneios, meus pensamentos e reflexões e ainda me sentir totalmente perto e integrado a você.

Você consegue ser cuidadosa ao dar opiniões, porém ser assertiva de uma maneira cirúrgica.

Você consegue estar longe e se manter perto, assim como estar perto e me dar todo o espaço de que preciso.

Você consegue se comunicar sem que me deixe dúvidas ou espaços a interpretações.

Você consegue deixar claro seus anseios e desejos e ter a consciência de que não sou eu o responsável por supri-los a você. Porém da mesma maneira não me sinto realmente responsável por seus anseios sinto um imenso desejo de te ajudar a realiza-los.

Você consegue expressar claramente seus sentimentos. Consegue, inclusive, saber a diferença entre o que você sente e o que os outros acham que você sente. Você transmite a certeza necessária.

Você consegue entrar e sair sem agitar o mar, mas trazendo o frescor da tempestade do verão.

Você consegue trazer o calor do inverno, mas sem o desconforto do excesso de cobertura.

Você consegue significar tanto sem impor nada.

Quanto às manias que temos, você me ensinou que não posso, não devo e não consigo mudar ninguém, mas ensinou também que não preciso me obrigar a conviver com nada que me agrida.

Me ensinou que sou muito importante na sua vida, mas não fundamental, apenas importante.

Somos completos como Um. Só assim pudemos fazer a operação matemática de nos tornarmos dois. Não somos cara metade, somos dois inteiros que somam dias, multiplicam experiências e dividem o peso da mochila que carregamos na estrada.

Aliás, o que podemos dizer de nossas mochilas? Estão cada dia mais vazias. Nós as esvaziamos sempre, nunca deixamos as coisas se acumularem e nos transtornarem com seus pesos. Aprendemos que somente com as mochilas vazias conseguimos colecionar novos momentos, novas experiências e depurar quem somos depois de tudo.

Somos o extrato, somos a alquimia, somos o aroma que resvala após o amassar dos ingredientes. Aquelas gotas raras e cheias do que realmente vale ouro. A essência. Esta mesma essência que resulta em cada vez menos quantidade, porém mais e mais refinada.

Estou aqui, olhando você envolvida em seus afazeres que te dão tanto prazer e tanta realização, escrevendo estas linhas e me sentindo totalmente completo, mesmo sendo uma variável da nossa equação. Uma variável cada vez mais estável, porém ainda imprevisível.

Somos imprevisíveis. A única coisa que podemos prever é que sempre seremos imprevisíveis. Cada dia temos uma nova história, um novo contraste e um novo desejo gerado a partir desta equação. Ora desejos em dupla, ora desejos individuais, ora familiares, ora profissionais, mas, em essência, somos desejos.

Desejos realizados, desejos modificados, desejos suprimidos, mas, a maioria, desejos realizados.

Desejos realizados que abrem espaço para novas experiências, novos contratos e outros novíssimos desejos, deixando um ambiente perfeito para este ciclo se repetir eternamente.

Este ciclo é como uma roda bem alinhada rodando em uma estrada sinuosa tornando o balanço incrivelmente presente e renovador. O balanço que gera uma vontade infinita de alinhamento, que quando estamos abertos a ele não existe rotina.

O que falar de rotina? O que é rotina?

Definitivamente não é o fato de ter horários, coisas para fazer, entregar ou contas para pagar. Rotina é estar aprisionado nas mesmas vontades, nas mesmas crenças e nos mesmos pensamentos todos os dias. Isto é rotina. Isto é devastador.

Somos vento, somos poeira, que ora se assenta e hora sobe novamente. E isto é lindo, é absurdamente lindo.

Só posso te dizer que quero isto para sempre. Te digo também que me ajude a nos alertar quando um de nós deixar a poeira assentada demais.

Precisamos sempre levantar a poeira, esvaziar a mochila e continuar.

Agora, meu amor, enquanto concluo o escrever destas linhas, tem me dado uma vontade louca de te abraçar. Vontade de respirar em meio aos seus cabelos, cheirar você depois de preparar aquela comida gostosa, irritar você enquanto ouve seus livros “cabeça”, enquanto ouve suas músicas contrastantes e imprevisíveis, só para ver você irritada e depois dando aquela respirada antes da deliciosa gargalhada.

Amo-te.