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Estudo da American Cancer Society investiga como fatores sociais afetam o câncer em mulheres negras

Estudo VOICES of Black Women investiga como experiências de vida e fatores socioeconômicos influenciam a prevenção, o tratamento e a sobrevivência ao câncer entre mulheres negras. A iniciativa busca ampliar as respostas sobre as disparidades raciais no câncer e produzir evidências para enfrentar desigualdades que atravessam o cuidado em saúde.

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Publicada em 3 de novembro de 2026

Lauren McCullough, epidemiologista e diretora científica sênior de pesquisa em epidemiologia da American Cancer Society, lidera desde 2022 o estudo VOICES of Black Women, que investiga a saúde de mulheres negras e como experiências vividas influenciam a prevenção, o tratamento e a sobrevivência ao câncer. O projeto acompanha mulheres negras de 20 a 60 anos que nunca receberam diagnóstico de câncer, com o objetivo de identificar quais fatores ajudam a explicar disparidades persistentes nos desfechos da doença.

McCullough afirma que o estudo parte de uma constatação histórica: a pesquisa em câncer não incluiu números robustos de mulheres negras, o que também produziu falta de respostas. Para ela, compreender as diferenças exige olhar para raça, etnia, condição socioeconômica, urbanidade e mortalidade ao mesmo tempo, porque esses elementos se combinam na vida real e ajudam a moldar o risco e o acesso ao cuidado.

O VOICES começou como um piloto pequeno em 2023 e hoje reúne cerca de 7 mil participantes. A meta é alcançar 100 mil inscritas. A participação é feita inteiramente on-line, pelo laptop ou pelo celular, sem necessidade de deslocamento, e os questionários são a principal forma de coleta de dados. O formulário inicial leva de 45 a 60 minutos, e depois há retornos duas vezes por ano, com questionários de 15 a 30 minutos.

Entre os temas investigados estão a relação com o sistema de saúde, experiências de racismo e discriminação, uso de produtos de cuidado pessoal, características do bairro e rede de apoio. McCullough diz que a equipe quer medir fatores que historicamente foram pouco observados, mas que podem influenciar o câncer de forma decisiva.

Alguns sinais já chamaram a atenção da equipe. Mais de 56% das participantes trabalham em mais de um emprego ao mesmo tempo. Muitas também relatam exposição a produtos de cuidado pessoal considerados tóxicos pelos pesquisadores, como alisantes químicos de cabelo, associados a câncer de endométrio e de mama e a outros desfechos reprodutivos adversos. A equipe também observa o que chama de “superwoman schema”, expressão usada para descrever a pressão de seguir funcionando e sustentando tudo ao redor, com efeitos fisiológicos ligados ao estresse e à inflamação.

McCullough rejeita a ideia de que as disparidades no câncer de mama se expliquem apenas por menor rastreamento. Ela afirma que os dados mostram que mulheres negras fazem mamografia em taxas iguais ou superiores às de mulheres brancas. A questão, diz ela, está no que acontece depois do exame: se há retorno para exames complementares, se o tratamento é agressivo quando o câncer é encontrado e se o atendimento ocorre em serviços de alta qualidade.

A pesquisadora também critica a leitura simplificada que reduz o debate sobre câncer a peso, dieta e atividade física sem considerar o contexto. Para ela, o acesso a calçadas, parques e mercados com alimentos frescos é desigual, e isso altera as possibilidades concretas de cuidado com a saúde. A meta do estudo, diz McCullough, é produzir evidências empíricas de que os sistemas importam e de que fatores históricos deixaram marcas mensuráveis na saúde das mulheres negras.

Quando o VOICES alcançar 10 mil participantes, McCullough espera que o projeto se torne um recurso duradouro para pesquisadores do futuro. Ela também diz que deseja ver esse trabalho liderado por outras cientistas negras e por pesquisadoras de cor, em um ambiente em que mulheres que se parecem com as participantes estejam à frente da produção do conhecimento.

Fonte: menopause.19thnews.org

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