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Entrada de 13 milhões de donas de casa no mercado de trabalho pode elevar o PIB em 2,2%

Estudo da FGV mostra que a entrada de 13 milhões de donas de casa no trabalho elevaria o PIB em 2,2% e acrescentaria R$ 284 bilhões. Trabalho doméstico e de cuidado sem remuneração segue como a principal barreira para a autonomia financeira feminina e para a ampliação da renda das famílias.

Pesquisa Voa MulherRevista Voa Mulher

Publicada em 27 de outubro de 2026

A entrada de 13 milhões de mulheres que hoje são donas de casa no mercado de trabalho elevaria o PIB do Brasil em 2,2%, indica estudo das pesquisadoras Isabela Duarte Kelly e Hildete Pereira de Melo, da FGV (Fundação Getulio Vargas).

O levantamento estima que essa inserção acrescentaria R$ 284 bilhões à economia em 2025, já descontados os valores que deixariam de ser recebidos em benefícios como o Bolsa Família nos casos em que o ingresso no emprego substituísse o programa social. A projeção considera mulheres com menos de 65 anos e usa como referência a renda média de mulheres com o mesmo nível de escolaridade.

Os dados mostram que 47% das mulheres estão fora da força de trabalho, o equivalente a 42,8 milhões. Dentro desse grupo, 13 milhões não trabalham nem buscam emprego porque precisam se dedicar aos afazeres domésticos e aos cuidados com filhos, casa e família. Em média, elas dedicam 32 horas semanais a esse trabalho, sem remuneração.

Isabela Duarte Kelly afirma que o estudo busca chamar atenção para o peso do trabalho doméstico e de cuidados não remunerado na participação feminina no mercado de trabalho e para o potencial econômico dessas mulheres. Ela diz que a participação das mulheres na força de trabalho permanece praticamente estagnada há quase 15 anos: era de 52% em 2012 e chegou a 53% em 2025.

Para a pesquisadora, a entrada dessas mulheres no mercado depende de políticas de infraestrutura que garantam acesso a creches e escolas de tempo integral para os filhos e, no caso das que cuidam de idosos, de centros-dia para esse público. Ela defende que o tema seja tratado como pauta econômica, além de social, porque os impactos podem alcançar a renda das famílias e a Previdência Social.

O estudo usa dados da PnadC (Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios Contínua) de 2025, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). A pesquisa também mostra que pretas e pardas são maioria entre as 13 milhões de mulheres que permanecem em casa por causa dos cuidados. As diferenças regionais aparecem com força: em 2025, a participação feminina na força de trabalho era de 48% no Norte e de 45% no Nordeste.

Entre os homens, a participação na força de trabalho era de 72% em 2025, e apenas 740 mil apontaram os afazeres domésticos e de cuidados como principal razão para permanecer fora dela. Para Isabela, o objetivo não é apenas discutir igualdade de gênero, mas também o efeito econômico da divisão desigual do trabalho dentro das casas.

Fonte: Folha de S.Paulo

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