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Plan International Brasil destina R$ 600 mil para projetos de igualdade de gênero

Aberta neste domingo, 11 de outubro, a segunda edição do fundo Acelere o Relógio da Igualdade, com R$ 600 mil para projetos de todo o país que enfrentem desigualdades de gênero. A chamada mira iniciativas que fortaleçam direitos das meninas, apoiar ações em territórios diversos e transformar vontade em orçamento.

Por Pesquisa Voa Mulher27 de outubro de 2026

A Plan International Brasil abriu neste domingo, 11 de outubro, a segunda edição do fundo Acelere o Relógio da Igualdade, com R$ 600 mil para projetos de todo o país que enfrentem desigualdades de gênero. A iniciativa foi lançada no Dia Internacional da Menina e busca apoiar ações que saiam do papel e ganhem materialidade nos territórios.

Flávio Debique, diretor de Programas e Advocacy da Plan Brasil, afirma que a mudança depende de orçamento. Para ele, o fundo existe para transformar vontade em recursos concretos, capazes de sustentar iniciativas voltadas às meninas e às jovens mulheres.

Inscrições até 11 de novembro

As inscrições podem ser feitas até 11 de novembro, na plataforma criada pela Plan. A organização diz que a proposta é que as próprias jovens façam o cadastro, com apoio de materiais e sessões explicativas.

Há três categorias na chamada. Uma é voltada a meninas e jovens mulheres que queiram tirar do papel ações em escolas, bairros e associações. Outra contempla coletivos, grêmios e movimentos, mesmo sem formalização. A terceira é destinada a organizações da sociedade civil.

As propostas podem tratar de prevenção ao casamento infantil, educação para a igualdade e violência de gênero. Depois da checagem de documentos, as candidatas avaliam projetos de outras participantes e não podem votar no próprio projeto. Os mais bem avaliados recebem o dinheiro e, em caso de empate, pesa a presença de grupos historicamente excluídos.

Na primeira edição, o fundo recebeu 319 inscrições e selecionou 25 iniciativas em dez estados. Entre elas esteve o coletivo MãeDalas, de Belém, que levou oficinas sobre educação sexual e direitos das meninas ao Quilombo do Abacatal, em Ananindeua (PA).

Marluce Araújo, fundadora do coletivo, diz que o edital a fez escrever o projeto imediatamente ao ver a realidade das adolescentes da comunidade. Ela relata que as oficinas provocaram conversas sobre sobrecarga de cuidado e desigualdade de gênero, inclusive a partir de um exercício em que meninas de 10 a 18 anos desenharam um relógio do tempo para mostrar como dividem o dia entre escola, tarefas domésticas, lazer e descanso.

A Plan também relaciona a chamada a dados sobre desigualdade que afetam meninas no país. Debique cita o Censo de 2022, que contou 34,2 mil crianças e adolescentes de 10 a 14 anos em união conjugal, a maioria meninas. Ele afirma ainda que 69% das garotas nessa situação são pretas ou pardas.

O diretor também menciona que o Brasil tem um dos piores índices mundiais de casamento infantil. Em outra frente, o livro Nem Cresci e Já Sou Mãe, da jornalista Joyce Ribeiro, reúne dados e relatos de jovens que engravidaram antes dos 19 anos. Joyce afirma que a gravidez na adolescência não é uma falha individual, mas reflexo de vulnerabilidades sociais, raciais e de gênero.

O edital chega em um cenário em que a própria organização vê desigualdades persistentes em educação, saúde, proteção contra a violência e divisão do cuidado. Para mulheres e meninas, o efeito concreto desse tipo de financiamento está em ampliar o espaço para que iniciativas locais tenham recursos, continuidade e alcance real.

Fonte: Folha de S.Paulo

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